A lista dos meus desejos

26 de janeiro de 2014

O que vocês fariam se ganhassem na loteria? Comprariam imóveis e carros, pediriam demissão, viajariam pelo mundo? Sim, sim. Eu faria tudo isso e muito mais, embora eu tenha consciência de que seria preciso manter a essência do verbo ser, que tem maior valor do que o ter. No livro A lista dos meus desejos, de Grégoire Delacourt, publicado pela Editora Alfaguara, a questão central é exatamente esta: até que ponto o dinheiro pode trazer a felicidade? 

A personagem principal é Jocelyne Guerbette, uma mulher de 47 anos, casada com Jocelyn, há 21 anos, com quem teve três filhos. Dois já crescidos e criados, e um natimorto. A família vive no interior da França, onde Jocelyn é proprietária de uma loja de aviamentos, vizinha ao salão de beleza das gêmeas Daniele e Françoise. Ambas tentam elevar a autoestima de Jocelyne, fazendo-lhe as unhas, contando-lhe histórias e incentivando-a a jogar na loteria.

Além da loja, chamada Armarinho Jo - em homenagem a si mesma, que fique bem claro, Jocelyne mantém um blog diário sobre tricô, bordado e costura, chamado Dedos de Ouro, o qual tem obtido centenas de acesso, sendo muito benquisto pelo público feminino, por suas dicas, receitas e tudo o mais. A vida parece seguir seu rumo com tranquilidade, mas a rotina do casal é entediante: casa-trabalho-trabalho-casa pelo menos por parte de Jocelyne.

Ela quer acreditar numa vida feliz e estável ao lado do seu marido, mas ela sente que “o tempo os afastou dos sonhos e os aproximou do silêncio”, afinal, ao longo dos anos, ela se tornara uma mulher amargurada pela flacidez de seu corpo e pela falta de dinheiro - que poderia realizar todos os desejos do marido, um homem bom de lábia que passa a maior parte do tempo livre ao lado dos amigos e que almeja ter uma TV tela plana, um Porsche Cayenne, uma coleção de DVDs do James Bond, um relógio-cronômetro e uma mulher bonita.

A reviravolta na vida do casal ocorre quando, por insistência das gêmeas, Jocelyne aposta dois euros na loteria e o bilhete é premiado. Com 18 milhões de euros e uma humilde lista de desejos em mãos, Jocelyne enfrenta tantas adversidades em torno do dinheiro que deixam o leitor com raiva pelo desenrolar dos fatos. No final das contas, ela percebe a delícia que é viver na humildade do seu lar e dormir em paz com seu travesseiro - ainda que o destino tenha sido tão cruel para sua família.

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Comentário:
 “Cito três qualidades deste livro: leitura rápida, bela mensagem e trama envolvente. De fato, o dinheiro não traz felicidade quando é administrado com ganância e egoísmo a ponto das pessoas se digladiarem, esfacelando a própria família. E aí, quando bate aquele arrependimento, é tarde demais, pois como diz Lulu Santos: nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia...”

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Caros leitores, eu publiquei este texto, inicialmente, no Blog Leitura do Momento. Convido-lhes a fazer uma visitinha por lá também. A leitura é minha outra paixão.

Um comentário :

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