Frida Kahlo em Curitiba

28 de abril de 2014


A mostra “Frida Kahlo – Suas fotografias” estará aberta para visitações a partir do dia 17 de julho, exclusivamente no Museu Oscar Niemeyer - MON, em Curitiba, seguindo até o mês de novembro.  A mostra consiste numa coleção de 240 fotografias, pertencentes ao museu da artista mexicana, que registram fases de sua vida. Atualmente, a mostra está nos Estados Unidos e, depois do Brasil, seguirá para Austrália.

O curador Pablo Ortiz afirmou que “o acervo reflete de maneira clara os interesses que a pintora teve ao longo da tormentosa vida: a família, o seu fascínio por Diego [Rivera, seu marido] e os seus outros amores, o corpo acidentado e a ciência médica, os amigos e alguns inimigos, a luta política e a arte, os índios e o passado pré-hispânico, tudo isto revestido da grande paixão que teve pelo México e pelos mexicanos”.

JÁ ESTOU LÁ ACAMPADA! kkk

Com esta notícia ma-ra-vi-lho-sa, compartilho com vocês um texto que eu escrevi quando foi lançado o filme Frida, nos anos 2000, com Salma Hayek encenando esta pintora do século, uma mulher à frente do seu tempo, com muita liberdade e independência para gozar a vida. Frida, exemplo de superação das dificuldades, nos ensina: “Para que preciso de pés quando tenho asas para voar?”.

Kahlo. O trabalho da pintora mexicana Frida Kahlo (1907-54) é escandaloso por sua naturalidade. Para compreendê-lo é necessário conhecer sua vida, marcada por grandes tragédias, dores e angústias. Em muitos de seus quadros o autorretrato é a fonte de inspiração. Nas palavras de Frida, “eu pinto-me porque estou, muitas vezes, sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor”.

Nascida em 1907, Frida contraiu poliomielite na infância, o que a deixou manca. Na juventude, aos 18 anos, sofreu um acidente de trânsito quando voltava da escola para casa. O ônibus chocou-se contra um bonde e ela teve múltiplas fraturas. Os seus quadros refletem os momentos pelos quais ela passou. A saúde frágil, a rotina em hospitais, as 35 cirurgias fracassadas e a amputação de uma perna somavam-se ao intenso sofrimento emocional.

Casada com Diego Rivera, a quem amou profundamente, levou uma vida instável e tumultuada. O marido tinha muitas amantes, e Frida compensava as traições com relacionamentos extraconjugais com outros homens e mulheres, também. Teve momentos de felicidade, onde sorria com frequência e expressava-se com palavrões ditos em alto e bom som, com sua voz grave.

Há quem diga que a arte de Frida é surrealista e primitiva. Embora, ela se autodenominava realista: “Pensaram que eu era surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, só pintei minha própria realidade”, dizia. O cerne de seus duzentos quadros, expostos em La Casa Azul, no México, fundado por Rivera, em sua homenagem, aborda temas raramente presentes na arte ocidental: nascimento, aborto e menstruação.

Um exemplo é a pintura O que a água me deu, de 1938, considerada sua obra mais surrealista e complexa, com riqueza de detalhes dispostos de forma irracional. É o retrato das alucinações e fantasias da artista. O devaneio na banheira, em que as imagens da morte, dor e sexualidade flutuam na superfície da água, com as pernas de Kahlo representando o seu ponto de vista sobre os pés deformados com o dedão rachado.

As cores vibrantes e as imagens chocantes do corpo mutilado, sangrento, cheio de cicatrizes e o coração para fora dele, descrevem a dor das feridas e a frustração de gravidez interrompida por abortos naturais, em consequência da fragilidade do seu corpo. “Pintar completou minha vida. Perdi três filhos, que teriam preenchido minha vida pavorosa. Minha pintura tomou o lugar de tudo isso. Creio que trabalhar é o melhor”, disse.

Mesmo acamada, com sérios problemas de coluna e dores latejantes, amenizadas com morfina, continuou a pintar. E, muito otimista, disse: “Não estou doente. Estou partida. Mas, me sinto feliz por continuar viva enquanto puder pintar”. Em 1954, Frida contraiu uma pneumonia e morreu de embolia pulmonar. Pouco antes de morrer, deixou escrito em um diário: “Espero alegremente a saída. E espero nunca mais voltar. Frida”.


E por falar em Frida Kahlo, tenho duas bonecas feitas à mão pelas artesãs Doris Day Doll e Kátia Callaça. Para conhecê-las, clique aqui.

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